SÃO PAULO – Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram à Justiça a anulação da delação do ex-senador Delcídio do Amaral. O advogado de Lula, Cristiano Zanin, argumenta que Delcídio mentiu em seu acordo de colaboração. A defesa ainda pediu a absolvição do ex-presidente na ação penal que tramita em Brasília e que o petista responde por tentativa de obstrução de Justiça na Lava Jato. O processo foi aberto com base na delação de Delcídio.

O processo investiga uma suposta tentativa de compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Em 2015, quanto era o então líder do governo Dilma Rousseff no Senado, Delcídio foi preso sob a acusação de oferecer R$ 50 mil mensais para que Cerveró não fechasse acordo de delação.

A Procuradoria da República no DF concluiu que Delcídio mentiu. Em sua delação, o senador cassado afirmou que todo o dinheiro usado na tentativa de compra do silêncio de Cerveró foi dado por José Bumlai, intermediado pelo filho, a pedido de Lula.O acordo de Delcidio foi assinado com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Neste caso, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a absolvição de Lula e do banqueiro André Esteves. O MPF disse que não encontrou evidências de que o petista e o banqueiro André Esteves, também acusado por participar da compra do silêncio de Cerveró, cometeram o crime de obstrução de Justiça.

A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu ainda que Delcídio perca os benefícios assegurados a ele no acordo de delação premiada, em razão de mentiras em depoimentos que acabaram por levar à abertura de uma ação penal. Caso a Justiça concorde e condene Delcídio no processo, o ex-parlamentar terá cumprir integralmente as penas imputadas pela prática dos crimes de obstrução à Justiça e patrocínio infiel. Ele ainda poderá responder por um terceiro crime: falsa imputação de crime.

Com a delação, Delcídio conseguiu se livrar da prisão preventiva, e passou a cumprir uma espécie de regime semiaberto domiciliar. Além disso, o acordo estabeleceu uma condenação à pena máxima de 15 anos de prisão, “com a suspensão dos demais feitos e procedimentos criminais na fase em que se encontrem quando atingido esse limite”. O MPF também se comprometeu a não pedir medidas cautelares de prisão do senador cassado. O acordo pode ser rescindido “se o colaborador sonegar a verdade ou mentir em relação a fatos em apuração”.

 

Fonte: EXTRA