(Na foto. o ministro das Relações Árabes do Golfo da Arábia Saudita, Thamer al-Sabhan, durante a reunião no palácio governamental em Beirute, no Líbano – 06/02/2017 (Furkan Güldemir/Anadolu Agency/Getty Images)

Em entrevista, ministro saudita aponta grupo libanês Hezbollah por “agressão” contra o país

O governo da Arábia Saudita acusou o Líbano de “declarar guerra” ao país devido à “agressão do Hezbollah” contra o reino. A declaração foi feita por Thamer al-Sabhan, ministro saudita para questões do Golfo, em entrevista à rede Al-Arabiya, na qual culpa o grupo xiita, citado pelo oficial como “bancado pelo Irã”, de “sequestrar o Líbano”.

“Os libaneses precisam escolher entre a paz ou se alinhar ao Hezbollah”, ameaçou Sabhan. O político disse que as milícias do grupo xiita estão envolvidas em “atos terroristas que ameaçam o reino”. Riad, segundo ele, “fará uso de todos os meios disponíveis para combater o Partido de Satã”, forma como se referiu ao Hezbollah, a quem acusa de traficar drogas para o país.

A mensagem, segundo o oficial saudita, já havia sido comunicada a Saad al-Hariri, político libanês que declarou sua renúncia como primeiro-ministro do país no sábado. Alegando “temer por sua vida”, Hariri, político sunita que pegou a todos de surpresa com o anúncio feito a partir da capital saudita Riad, acusou o Irã e o Hezbollah de “controlarem” o Líbano.

Nesta terça-feira, o ex-primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, anunciou que Hariri, líder de seu partido, “voltará” ao Líbano. De acordo com a agência de notícias Reuters, ele conversou com o chefe de Governo na segunda-feira e falou que o retorno do oficial é “prioridade”. O ministro de Defesa libanês, Salim Jreissati, anunciou que nenhuma medida será tomada sobre a sucessão do cargo até que Hariri esteja de volta ao país para esclarecer os motivos de sua renúncia.

Irã

As palavras duras de Sabhan ganharam apoio do príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, que, segundo informa a Al-Arabiya, responsabilizou nesta terça-feira o Irã de fornecer misseis aos rebeldes houthi , o que foi considerado pelo governo saudita como “uma agressão militar direta”. No sábado, a Arábia Saudita interceptou e destruiu um míssil balístico próximo à capital Riad, disparado do Iêmen pelos houthi, que detêm parte do controle do Iêmen.

O regime de Teerã, por sua vez, negou as acusações, e acusou Riad de “crimes de guerra” e “bullyng regional”. O porta-voz do ministério de Relações Exteriores do Irã, Bahram Ghassemi, disse que o ataque a míssil do sábado foi “uma ação independente em resposta à agressão saudita”, adicionando que seu país não tem relação alguma com o incidente.

 

Fonte: Revista Veja