Manchete do jornal O Globo em 16/03/2018

 

A manchete do Antagonista, por sua vez, é uma aula de jornalismo. Ela vai ao ponto, ao mesmo tempo em que sintetiza em apenas 30 toques:

Marielle era bissexual. E daí?

A sexualidade de Marielle só teria relevância se o assassinato de que foi vítima tivesse motivação homofóbica, o que não parece ser o caso — a menos, é claro, que o jornal conte com informações privilegiadas.

O jornal deixou a imparcialidade e a objetividade de lado para doutrinar seus leitores e promover a divisão  da sociedade por meio do rancor. As pessoas só são vítimas se comungam da ideologia esquerdista.

Como observou Cláudio Dantas, Marielle defendia bandeiras setoriais. Mas isso não pode fazer a morte dela ser mais lamentável que a de seu motorista ou a das duas policiais negras mortas.

 

Um mapeamento de O Antagonista sobre os votos que Marielle Franco obteve em 2016 revela que a vereadora do PSOL, executada há dois dias, não foi eleita pelas favelas.

Cerca de 20 mil votos, quase metade dos 46 mil votos que elegeram a socióloga, saíram dos bairros nobres da Zona Sul carioca e da Barra da Tijuca, Zona Oeste.

Enquanto na Rocinha ela teve apenas 22 votos, no Leblon foram 1.027. Marielle colheu mais 1.900 votos em Laranjeiras e outros 2.742 votos em Copacabana.

Na também famosa Cidade de Deus, foram apenas 89 votos. Já na Freguesia, área de classe média alta de Jacarepaguá, a política do PSOL foi a escolha de 707 eleitores.

Na Grande Tijuca, Marielle teve um ótimo desempenho: 6.500 votos.

No Complexo da Maré, suposta base eleitoral da vereadora, foram apenas 50 votos.

Se incluirmos Ramos e Bonsucesso, esse número sobe para 2.196 votos – resultado distante do obtido entre o eleitorado de melhor poder aquisitivo.