Por Laura Hollis, no Jewish World Review.

 

Na última semana de agosto, houve pelo menos três casos de hipocrisia e a fraude na nossa imprensa norte-americana.

O primeiro foi o desfile no enterro do senador John McCain. McCain era um veterano e antigo funcionário público conhecido por seu amor ao país, então é lógico que milhões de americanos apreciem seu serviço e lamentem sua morte.

Mas e a imprensa?

Durante a sua candidatura à presidência em 2008, McCain – como todos os republicanos que concorrem a cargos nacionais – foi demonizado como uma ameaça senil, racista e belicista à civilização humana. (Alguns ainda se sentem assim.)

O segundo exemplo foi a enésima gafie jornalística da CNN. Lanny Davis, advogado do ex-conselheiro de Donald Trump Michael Cohen, admitiu que ele era a fonte anônima por trás da história da CNN, em 27 de julho, na qual alegara que Trump sabia e aprovara uma reunião entre Donald Trump Jr. e vários russos que alegaram ter “sujeira” em Hillary Clinton. Enquanto outros meios de comunicação – para seu crédito – retiraram a história após a admissão de Davis, a CNN se recusou a fazê-lo.

O terceiro, e talvez mais chocante exemplo, é o artigo de 27 de agosto do New York Times, sobre o escândalo dos abusos sexuais que está, mais uma vez, acabando com a Igreja Católica. Na esteira do relatório do grande júri da Pensilvânia, que detalha as alegações de abuso sexual contra 300 padres em todo o estado, o ex-embaixador do Vaticano nos Estados Unidos, Carlo Maria Vigano, divulgou uma carta, de 11 páginas, na qual afirma que ele (e outros) falavam ao Papa sobre as alegações de abuso homossexual contra o então cardeal Theodore McCarrick anos antes, e que a resposta de Francisco foi restabelecer McCarrick às responsabilidades sacerdotais das quais ele havia sido removido anteriormente pelo predecessor de Francisco, o Papa Bento XVI.

Este escândalo de abuso sexual é o momento #MeToo da Igreja Católica. Quando homens poderosos como Harvey Weinstein, Charlie Rose, Matt Lauer e o ex-senador norte-americano Al Franken foram acusados de má conduta sexual na esfera secular, imediatamente exigiram suas demissões ou renúncias. Não é de surpreender, portanto, que muitos católicos estejam dizendo que, se as declarações de Vigano forem acuradas, o Papa Francisco deve renunciar.

Mas o Times o caracteriza de outra forma, dizendo que “uma oposição ideologicamente motivada” – conservadora – “armou a crise de abuso sexual da Igreja para ameaçar não apenas a agenda de Francisco, mas todo o seu papado”.

Vamos comparar com o tratamento que a imprensa deu ao deputado Jim Jordan, R-Ohio. Jordan é acusado de ter fechado os olhos para o suposto abuso sexual de atletas do estado de Ohio pelo médico da equipe, Richard Strauss, no momento em que Jordan era o assistente do treinador masculino de luta. Jordan afirma não ter sabido do abuso. Em um recente artigo da NBC News, vários atletas entrevistados dizem que isso não pode ser verdade. Jordan é um candidato a presidente da Câmara. Mas em nenhum lugar do artigo da NBC sugere que a natureza ou a época das acusações são politicamente motivadas. (Na verdade, um artigo opininativo do editor da CNN  Chris Cillizza, sugere que a decisão de Jordan de candidatar-se a Porta-voz é “política” e que ele está fazendo isso para limpar seu nome.)

A indignação e a repulsa geradas pelo artigo da Pensilvânia e as detalhadas denúncias de Vigano são genuínas. O Times inventar quwe as reações dos católicos são motivadas por mera vantagem política é cínico ao extremo. (É de se perguntar por que o The Times rompe com a tradição do #MeToo de acreditar no acusador; talvez concorde com o cardeal Blase Cupich, de Chicago, que anunciou em entrevista à NBC Chicago, que a agenda do papa sobre mudança climática e imigração é mais importante do que o “buraco de coelho” do abuso sexual de crianças e jovens rapazes.)

Na verdade, esta é a segunda vez, em oito semanas,que o New York Times usa a palavra “armamento”. Em junho, quando a Suprema Corte decidiu os casos Janus v. AFSCME e NIFLA v. Becerra, a juíza Elena Kagan argumentou, em sua dissensão Janus, que os conservadores estavam “armando a Primeira Emenda”, uma acusação repetida diligentemente pelo New York Times. Agora nos dizem que os conservadores estão “armando” a crise dos abusos sexuais.

 

Esse termo – “armamento” – precisa de uma tradução. Eis o que significa: Os princípios que afirmamos nos preocupar estão sendo usados por nossos oponentes políticos em proveito próprio. E isso não pode acontecer.

Em outras palavras, quando a esquerda defende a liberdade de expressão ou o livre exercício de direitos, é valente e nobre. Quando os indivíduos de direita fazem isso, é hora de desfazer a Primeira Emenda. Quando a esquerda exige as cabeças (ou pelo menos os empregos) daqueles que cometeram ou toleraram o abuso sexual, eles são heróis rvingando os sem voz e sem poder. Quando os conservadores fazem isso, é uma vantagem política covarde.

Eu já disse isso antes, mas é preciso reafirmar: os liberais tradicionais defendem certos princípios e a sua aplicação universal. Mas os progressistas de Saul Alinsky de hoje, acham os princípios úteis apenas na medida em que sua aplicação atinge resultados específicos e desejados. É por isso que liberais autodeclarados de esquerda, como o professor Alan Dershowitz, da Harvard Law School, o jornalista Glenn Greenwald ou os ex-professores da Evergreen State, Heather Heying e Bret Weinstein, podem se ver, de repente, por defenderem o que consideravam preceitos testados e comprovados do pensamento liberal.

É também por isso que o público não confia em uma imprensa cada vez mais progressista.

 

Laura Hirschfeld Hollis faz parte do corpo docente da Universidade de Notre Dame, onde ministra cursos de direito empresarial e empreendedorismo. Ela recebeu inúmeros prêmios por seu ensino, pesquisa, serviço comunitário e contribuições para a educação empreendedora.