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Artigo condensado, de Pedro Henrique Alves. Leia o artigo completo no Instituto Liberal.

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Quando o Estado ou os ideólogos ditam quais são as matérias e as verdades que devem ser veiculadas […] o jornalismo então se torna mero mensageiro de concepções políticas oficializadas;[…] serventes de uma ideologia política.

A democracia é sufocada e constrangida quando os meios jornalísticos se encontram mancomunados com ideologias, dependentes do Estado ou de partidos políticos. Nesse terreno ideológico, o exercício de investigação, levantamento de fontes e provas para denúncias verdadeiramente jornalísticas, se encontrarão pastosos e sem credibilidade alguma; não saberemos ao certo se a denúncia se curvará aos fatos ou aos factoides.

O jornalismo ideológico:

O próprio ato de “mostrar os fatos” à população — passa a ser algo contaminado por correntes de ideias que modificam ou tencionam certos aspectos da matéria, rumo às conclusões que favorecem os dogmas políticos daquele veículo ou jornalista.

Não estamos, com isso, deslegitimando as opiniões de editoriais e colunas especializadas; um jornal pode e deve ter seus valores bem definidos e editoriais opinativos. O que não queremos é que os reinterpretem por nós.

A liberdade como condição:

A condição mínima para o exercício do jornalismo é a liberdade. O jornalista, para bem informar e atuar como mensageiro da verdade, deve antes se encontrar limpo de quaisquer seduções ideológicas, políticas e/ou monetárias que se coloquem entre os seus olhos e a realidade. O fato pelo fato, doa a quem doer.

Se um grupo de ideias leva o jornalista a tencionar o ocorrido rumo às “verdades” que o convém, nesse mesmo instante ele se tornou vassalo de uma ideologia política (ou religiosa, ou político-religiosa).

O jornalista expõe os fatos e os receptores de tais fatos fazem com eles aquilo que a suas consciências aprouver.

Quando o profissional da informação se ergue ao posto de intérprete ou maquiador da realidade, a ignorância se torna o seu pupilo e a mentira o seu vício de estimação. Já diria Platão: “[…] a ignorância ocorre exatamente quando a alma que visa à verdade desvia-se do entendimento e não atinge a meta” (PLATÃO, Sofista. 228d).

O jornalismo militante:

As recentes críticas de Bolsonaro à Folha de São Paulo, neste sentido, se encontram balizadas pela reta conduta que se espera de um jornalismo sério. O alvo das críticas e a matéria da jornalista Patrícia Campos Mello, sob o título de Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp, no jornal Folha de São Paulo.

A  Folha de São Paulo criou uma denúncia que carecia do mínimo respaldo dos fatos e documentos; documentos, aliás, que a matéria dizia existirem quase que aos montes. Ou seja, a Folha tratou como furo de reportagem e matéria de capa do maior jornal do país um assunto que não possui o menor respaldo comprobatório.

A nova canelada do referido jornal foi a recente matéria auto-elogiosa denominada Maior parte das menções a Bolsonaro e Haddad na Folha teve tom neutro; em suma, é a Folha dizendo que, segundo os seus próprios levantamentos, ela é neutra.

 

O sonho de ser do Estado:

A última mostra de angústia de um jornalismo moribundo, é a revolta do meio midiático quando o presidente eleito, Jair Bolsonaro, disse que cortaria a verba estatal da Folha de São Paulo. Obviamente que, se a proposta de Bolsonaro é cortar somente as verbas da Folha de São Paulo, tal ato presidencial se tratará de uma punição e não de uma política concreta de não-financiamento estatal das grandes mídias; ou corta o financiamento estatal de todas, ou tal situação aparentará tão somente uma coação oficial.

No entanto, é inédito para mim que o desenlaçar de um jornal de sua amarra estatal passe a ser visto como um ato de tirania pelos próprios jornais. Para começar, devia ser um absurdo puro e simples que o Estado financiasse quaisquer jornais; e, pela primeira vez na história, um jornal, ao vislumbrar o fim de sua ligação monetária com o Estado, clama com campanhas e hashtag’s o seu direito de continuar se alimentando pelo cordão umbilical do Estado. Winston, protagonista da obra 1984, se veria numa crise existencial com tal situação.

A única situação em que eu veria a possibilidade de benesses — para as partes envolvidas — em uma coligação entre Estado e mídias jornalísticas é quando há uma troca sincera de interesses entre ambas. Como o eterno adágio atribuído a Milton Friedman nos recorda: “não há almoço grátis”; sendo assim, além do claro benefício monetário que o jornal recebe, cabe-nos questionar quais as vantagens que o Estado visa com tais vínculos.

Talvez agora, com poucos endossos do pai Estado, a mídia brasileira seja forçada a renovar as suas concepções de serviços jornalísticos e, por fim, comece a fazer verdadeiramente jornalismo ao invés de militância. O Brasil agradece, afinal, não é essa uma crítica de quem quer suprimir as mídias de informação, mas sim aquela poda que quer revigorar o tronco do verdadeiro jornalismo independente e livre. Tornar as gazetas pulsantes e joviais é o mesmo que manter a liberdade como o centro nevrálgico da sociedade brasileira. Um jornalismo livre é a condição para a liberdade de um país, é o motor principal de qualquer democracia; se o jornalismo já não é mais livre, não demorará muito para que o povo também deixe de sê-lo.

 

Pedro Henrique Alves é filósofo formado pela Faculdade Dehoniana; escritor na coluna de política do Instituto Liberal de Minas Gerais; editor e escritor do Blog Do Contra; além de estudioso de filosofia política com ênfase em políticas totalitárias.