Um caiu no esquecimento e o outro ainda é uma incógnita

Joaquim Barbosa e Sergio Moro

Joaquim Barbosa, que foi indicado em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os discursos progressistas da época ecoavam, onde se falava mais na questão de ser a primeira pessoa de cor a integrar a Suprema Corte, pouco se falava na qualificação da pessoa do então ministro.

Joaquim Barbosa passou a ter destaque tanto na mídia convencional quanto nas mídias sociais quando assumiu a relatoria do mensalão, que foi denunciado pelo deputado federal Roberto Jeferson (PTB) em 2005.

Passou a ser odiado pelos militantes e simpatizantes do PT, que até então era governo, e admirado por alguns partidos que em teoria eram oposição. Ressaltando que muitos até falaram que ele tinha ligações com PSDB, mas essa teoria não é válida porque em 2009 ele votou a favor da cassação do mandato do então Governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB).

Devido ao seu destaque nacional houve até campanha nas redes sociais pedindo o mesmo como Presidente da República, e seu nome era citado em algumas pesquisas presidenciais. Mas a principio nada foi adiante.

Assumiu a presidência da Suprema Corte em 2012, cargo esse que tem o mandato de 2 anos, mas ao concluir seu mandato, em 2014, também resolveu deixar a corte, ocorreram diversas especulações na época em relação sua saída do STF.

Em 2018 Joaquim Barbosa se filiou ao PSB, confirmando que o mesmo não tinha ligações com partido nenhum anteriormente, mas não se candidatou a nenhum cargo, apesar de haver especulações de que o mesmo seria candidato a presidente.

Mas o impressionando foi sua declaração no Twitter em relação ao segundo turno das eleições de 2018, em seu Twiter ele declarou seu voto em Haddad: “Votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, sopesei os aspectos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad”.

Declarou voto ao candidato do partido que outrora o odiava.

Mais recente o Brasil presenciou a atuação de um Juiz na operação Lava Jato, mais uma vez a história se repetiu, a princípio passou a ser odiado por militantes e simpatizantes do PT, assim como Joaquim Barbosa, passou a ser intitulado como “Tucano” tendo ligações com o PSDB, falaram que seu pai foi fundador do PSDB do Paraná, embora não se tenha provado nada até agora, esse é o então Juiz Sérgio Moro.

Na época em que o mesmo estava com suas mãos na Lava Jato, diversos políticos tentaram se aproximar dele, pois o viam como um símbolo de combate a corrupção, mas ele sempre desviava com seu jeito tímido de ser, pelo menos era o que aparentava.

Por se destacar tanto na operação Lava Jato, assim como Joaquim Barbosa, surgiram campanhas nas redes sociais pedindo o mesmo com Presidente da República e seu nome também era citado em pesquisas eleitorais.

Devido a grande repercussão da operação Lava Jato até um filme foi roteirizado.

Passou a ser chamado de herói nacional, sempre falava que não tinha nada de herói e sim era sua obrigação, analisando bem ele realmente perdeu sua tranquilidade, pois mexeu com muita gente perigosa, mas constantemente se fazia presente em festas, eventos, onde o mesmo era homenageado como o símbolo de combate a corrupção.

Chegou a ser intitulado por seus “inimigos” de agente da CIA.

O tempo passou e de uma forma ou de outra a operação Lava Jato influenciou as eleições de 2018, pois chegou a prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mostrou todo o esquema de corrupção que ele comandou nessa operação.

Após a vitória do presidente Jair Bolsonaro nas eleições 2018, o então juiz que ficou conhecido como herói nacional foi parabenizar o presidente eleito pela sua vitória, mas pelo que deu a entender ele foi se auto convidar para ser ministro do seu governo, abandonando 22 anos de magistratura, já pretendendo ir para o STF.

Ainda em 2019, seu primeiro ano como ministro, o Intercept “vazou” suas conversas com os procuradores, conversas essas que foram do Telegram. Mas o site nunca mostrou um print das conversas nem áudios que comprometessem a operação, apenas conversas que poderiam ser editadas. Ainda apresentou um áudio, mas não ficou claro o contexto do mesmo.

Ele foi chamado para uma CPI que na verdade não deu em nada, e o presidente Jair Bolsonaro ficou ao seu lado todo o tempo.

Para muitos, devido a sua autuação na Lava Jato, o ministro Sérgio Moro era considerado um dos pilares morais do governo Bolsonaro.

Até que em 24 de abril de 2020 o então ministro Sérgio Moro convoca a imprensa para uma coletiva onde ele informou sua demissão, para alguém que sempre foi um juiz tímido e reservado não tinha para que convocar uma coletiva de imprensa anunciar seu pedido de demissão, pois nem Joaquim Barbosa convocou a imprensa para anunciar sua aposentadora do STF.

Após sua saída do governo Bolsonaro ocorreu uma divisão entre apoiadores, uns o chama de traidor, outros continuam vendo o mesmo como herói.

Agora passa a ser ex-ministro que também é ex-juiz, há quem diga que o pedido de demissão foi devido a sua vaidade, ego, haja visto as acusações feitas ao presidente, que por sinal também se defendeu.

Alguns já o veem como candidato e presidente nas próximas eleições, mas isso só o futuro dirá.

Mas não é de se espantar, se em 2022 ele declare voto a algum partido de esquerda ou outros partidos o qual alguns de seus integrantes foram presos na operação Lava Jato.

Diante de todos esses fatos só pode-se chegar a uma conclusão: o brasileiro é carente de herói e sempre busca um para chamar de seu, mas sempre se decepciona.