Um criminoso drogado esfaqueia um engenheiro que estava dentro de seu carro, parado no sinal.

Ferido, o rapaz sai do carro, e o criminoso continua a esfaqueá-lo, em plena via pública.

Sua noiva, desesperada, tenta socorrê-lo. Ela também é esfaqueada.

Um personal trainer para seu carro e vai socorrer o engenheiro,que já está caído na rua. O criminoso mata o personal trainer. O engenheiro não resiste e morre também.

O mais assustador nessa tragédia é que tudo tenha se passado DIANTE DOS OLHOS DE POLICIAIS, que pelas razões que todos sabemos hesitaram em atirar no criminoso.

Só o fazem quando ele já causou duas mortes e deixou vários feridos – leiam a matéria e perceberão quanto tempo isso tudo demorou. E ainda assim atiram nas pernas – tiro mais difícil de acertar do que na região dorsal, tanto que acabam ferindo outras pessoas.

Se tivessem atirado logo, e de forma mais efetiva, teriam evitado pelo menos uma das duas mortes, e não haveria tantos feridos. Por outro lado, o criminoso provavelmente teria morrido. E aí…

“Policial mata morador de rua” – seria provavelmente a manchete de hoje.
“ONGs de Direitos Humanos exigem punição para o policial” – seria o subtítulo.
“PSOL denuncia polícia do Rio de Janeiro na ONU”, diria outra manchete.

Esse não é o primeiro caso (e receio que não será o último) em que policiais brasileiros hesitam em atirar com medo de serem processados.

Dar a eles maior segurança jurídica, como pretende o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro, não é uma medida que ajuda apenas os policiais.

É uma medida que ajuda a salvar vidas.

Se a escolha é entre preservar a vida do criminoso armado e salvar as vidas das vítimas inocentes, não pode haver hesitação na hora de apertar o gatilho.

Em tempo: a matéria de O Globo chama a situação de “abandono do drama dos moradores de rua”. Pelo amor de Deus…

João Napoli e Caroline Moutinho

Eles iriam se casar no dia 16 de agosto.

Marcelo Rocha Monteiro