Por Virgil. Leia o artigo completo no Breitbart.

Não é politicamente correto lamentar a destruição parcial de um ícone do antigo catolicismo europeu, em toda a sua glória ocidental. E, no entanto, é isso que está acontecendo, enquanto o mundo absorve a triste notícia do incêndio na catedral de Notre-Dame, em Paris.

Parado em frente ao grande edifício, enquanto ainda estava em chamas, o presidente francês Emmanuel Macron falou em favor da civilização ocidental quando declarou : “Notre-Dame é nossa história, nossa literatura, parte de nossa psique, o lugar de todos os nossos grandes eventos, nossas epidemias, nossas guerras, nossas liberações, o epicentro de nossas vidas.” E ele prometeu que a igreja seria restaurada, já que as doações já estavam chegando.

Cartum de Sean Delonas

Mesmo o The New York Times , que raramente perde a chance de deixar de falar mal da tradição judaico-cristã, deu espaço para seu crítico de arquitetura, Michael Kimmelman, que prestou homenagem à Notre-Dame em uma obra intitulada : “A França em crise chora por um símbolo da identidade duradoura de Paris. ”

Curiosamente, em meio a sua homenagem geral à história do edifício, Kimmelman acrescentou uma nota que certamente encontra eco nos americanos: “Notre-Dame ocupou o coração de Paris durante a maior parte de um milênio, suas torres gêmeas medievais levando-se da pequena central ilha. ”[ênfase acrescentada]

Podemos fazer uma pausa nessas palavras, “torres gêmeas”, porque, é claro, elas nos fazem pensar no World Trade Center, destruído em 11 de setembro de 2001.  (Ou, como diria o deputado Ilhan Omar, naquele dia em que “ algumas pessoas fizeram alguma coisa.”)

É interessante lembrar que, antes de sua destruição, as torres gêmeas de Manhattan não eram muito respeitadas como arquitetura; observadores publicados os desprezavam como “monolitos banais”, como uma “intromissão arrogante” ou como um “diapasão colossalmente desalinhado”.

Escusado será dizer que esse escárnio desapareceu após o 11 de setembro. A morte de quase 3.000 pessoas consagrou a memória dos edifícios.   Como dizíamos os antigos romanos, De mortuis nil nisi bonum – nunca fala mal dos mortos.   Nem, poderíamos acrescentar, deveríamos falar mal de seus túmulos.

Cartum de Lisa Benson

De fato, após qualquer tipo de perda, geralmente ocorre uma revisão para melhor na avaliação do que foi perdido. Ou seja, depois que algo se foi, as pessoas sentem falta disso.

Foi o que aconteceu, por exemplo, no final do século 19, quando a fronteira ocidental dos Estados Unidos passou a ser considerada “fechada”. Naquela época, a maioria das pessoas poderia não ter pensado muito sobre a grande expansão – até que ela parou.

No entanto, em resposta a esse sentimento de perda psíquica, a cultura americana se moveu para preencher o vazio. Foi assim que, em 1905, o 26º presidente reeleito, Theodore Roosevelt, transformou sua posse em uma celebração da cultura fronteiriça.

Mais uma vez, tendemos a reverenciar o que foi perdido – mas somente depois de ter sido perdido. 

Então, agora, voltando à Notre-Dame, é provável que a conflagração leve a uma nova reverência à cultura cristã histórica. 

Contudo, é bem provável que esta reverência recém-revivida vá colidir com a decidida irreverência do politicamente correto (PC).

De fato, ao considerarmos o possível impacto do PC no processo de reconstrução de Notre-Dame, podemos começar com o líder da Igreja Católica, o papa Francisco, que se preocupa mais com a mudança climática e a imigração. Como o exasperado clérigo católico conservador, o cardeal Robert Sarah, lamentou recentemente, sob o comando de Francisco, a igreja corre o risco de se tornar apenas mais uma ONG esquerdista. Assim, a mente vê a possibilidade de reconstruir a Notre-Dame à luz dessa ideologia progressista e agressiva.

Cartum de Chip Bok
– Já vimos de tudo,…peste negra, reforma protestante,revolução francesa, nazistas…
– É, o que que é um pequeno fogo infernal?

Enquanto isso, para obter algumas pistas sobre o que é possível quando o PC reina, podemos considerar o que está acontecendo aqui nos EUA, já que nossa cultura histórica é assediada por destruidores.  Como veremos, não são apenas memoriais confederados. 

Por exemplo, um bairro estava removendo um mural escolar, da década de 1930, de crianças brincando. Porque todas as crianças são brancas . Essa era, sem dúvida, a maneira como as crianças do bairro se pareciam naquela época, mas para os guerreiros do PC de hoje, a mera lembrança, não importa quão acurada seja, é um ultraje.   

Explicou um funcionário: “Trabalharemos com o Clube de Justiça Social e nosso comitê de diversidade para criar um mural que represente melhor a escola.”

Essa ação levou um professor aposentado de história da arte americana, a rotular a remoção de “uma queima de livros moderna”.

E a limpeza do PC continua; em outra escola, murais retratando a vida de George Washington parecem destinados ao exílio, se não à destruição total. 

Talvez, depois que todos os murais ofensivos sejam removidos, os americanos sentirão a falta deles, afinal de contas.  No entanto, por enquanto, o equivalente artístico da queima de livros parece que vai continuar.

Então, sim, o que aconteceu com a Notre-Dame é profundamente entristecedor.  Mas os americanos, tristes com as notícias de Paris, devem lembrar: O sino dobra também por eles.